em 

TODO O SITE  

carolina sá solta a voz

12.07.18

 #carolina sá #teseu



Já ouviu falar no “fio de Ariadne” da história de Teseu? É uma das tantas histórias da mitologia grega que a gente aprende lá na infância como uma iniciação pras coisas que vem pela frente na vida. No conto, o fio – de um novelo de lã de Ariadne, filha de Minos, Rei de Creta, é o que salva o personagem de um labirinto cheio de armadilhas e desafios.

Essa simples e grande representação da vida, que traz a ideia de que todas e todos nós em muitos momentos vamos passar por dificuldades que parecem paredes de 10 metros de altura, enfrentar medos que se assemelham aos piores pesadelos para, por fim, descobrir ou até criar nossas próprias soluções, é a inspiração por trás de “Teseu”, primeiro disco autoral de Carolina Sá, artista de múltiplos talentos que nos inspira, como um fio de Ariadne, em diferentes expressões da arte.



“Teseu foi um música que fiz quando lia um livro da minha filha, sobre a infância de Teseu. Fiquei com o mito na cabeça. Pensei nessa questão do labirinto, como uma metáfora da vida. A ideia de que todos nós precisamos passar pela sombra, pelos caminhos que não sabemos onde vão dar, enfrentar o medo, matar o monstro - todos nós temos nossos monstros!, para então encontra a luz. E também tem o fio, que conduz, que é a linha do amor. Uma trajetória de todos nós”, conta ela.

Apesar de ser o primeiro disco autoral de Carol, sua relação com a música vem de tempos...



“A música talvez seja minha lembrança afetiva mais potente . Lembro de eu já bem pequena, cantando letras inteiras de músicos que minha mãe ouvia. Também era um momento onde eu me conectava muito com minha mãe pois ela sempre gostou de tocar violão (e ela toca muito, essa escola Bossa-Nova de violão) e eu ficar ao lado dela cantando. Aos 7 anos fiz minha primeira música que cantei num festival da escola. Aos 10 comecei a estudar violão e aí fui me relacionando muito intimamente com essa coisa da criação musical. Eu já bem pequena era capaz de ficar horas e horas ouvindo os discos que tinha na minha casa, dos Beatles ao Gil. Quando fui estudar cinema, meu primeiro projeto autoral foi uma série de documentários sobre a música caribenha. Filmei em Cuba, na Jamaica, Haiti, Trinidad & Tobago e República Dominicana. Ali, eu aprofundei uma pesquisa que eu já fazia intuitivamente em todos os lugares que eu ia. Na adolescência por exemplo, ir para Salvador significava ouvir música, ir nos ensaios dos blocos...”



Hoje, com mais de 60 músicas autorais, Carol também é cineasta e diretora de televisão – já dirigiu mais de 200 documentários para a televisão e teve seu primeiro Longa-Metragem, “Construção”, lançado na Mostra Internacional de São Paulo, além de ter recebido a menção honrosa do Júri no FEMINA, Festival Internacional de Cinema Feminino do Rio de Janeiro. É ou não é um exemplo e tanto de força feminina?

Agora, a artista conta com o financiamento coletivo para colocar no mundo seu novo disco. A iniciativa está na reta final e falta bem pouco para atingir a meta da campanha, que é tudo ou nada, ou seja, é hora da gente colaborar com esse projeto autoral, feminino e tão sensível! Dá uma olhada na campanha do disco:
 

 
“Teseu é uma síntese do meu caminho no documentário e na música. Fruto da minha caminhada. São letras que trazem reflexões e metáforas de questões humanas. Vida e morte, luz e sombra, força e fragilidade. Ao mesmo tempo tem um intensão sonora de transmutação. A ideia de levar esses sentimentos humanos para uma luz através de uma alegria rítmica. Criar uma ponte entre a tristeza e a alegria, adicionar elementos sonoros que façam essa transformação. O disco vai envolver o trabalho de muitas pessoas ligadas à música e às artes como meus produtores musicais Mario Lucio do Cabo Verde e Chester Harlam grande músico ítalo-germânico além dos músicos e engenheiros de som brasileiros e do artista visual e músico Cabelo que vai fazer a capa do disco. Quem apoiar o disco fará parte ativamente da construção desse projeto. Vai me ajudar a colocar algo bonito no mundo. Como ajudar um parto”.

E por falar em valorizar a criatividade do feminino em obras autorais que falam sobre o mundo, a Carol ainda traz mais novidade por aí... Ainda esse ano, lança pelo Canal Curta seu projeto autoral Onde Nascem as Ideias. Uma série de oito episódios sobre o processo criativo de artistas brasileiras, entre elas, Bia Lessa, Juçara Marçal, Mana Bernardes, Angel Vianna e Paula Gaitán. Que potências!

Onde Nascem As Ideias foi um projeto que eu pensei depois que eu vi pela segunda vez  "Diário de Sintra", documentário sensível e potente da Paula Gaitán, uma cineasta que admiro muito. Na época eu mesma estava num período fértil de criação, compondo muito e fiquei pensando nessa questão da criação artística feminina. A arte como um embrião, fruto de um desejo ou de uma necessidade e depois de como ela nasce para o mundo. A ideia de dar luz a algo que pode ter surgido de lugares diversos, como o medo, a perda, o desejo, a necessidade, o amor, a intuição. Enfim, como esse universo imenso da intimidade de cada mulher, se refletia na arte, na criação. São mulheres que colocam artes/frutos diferentes no mundo. Todas elas coerentes, sensíveis, inteligentes e de uma potência cósmica. Foi um aprendizado imenso. Sou muito grata a elas:Paula Gaitán, Mana Bernardes, Angel Vianna, Juçara Marçal, Bia Lessa, Sônia Gomes, Lia Rodrigues e Rosângela Rennó”.

Por aqui, já estamos ansiosas pra assistir a cada um dos episódios com todas essas mulheres que admiramos muito! E claro, na torcida pra ver por esse mundão a fora, em cada cantinho, tocar as músicas de “Teseu” :)
 
TOPO