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meu chão, meu nordeste

02.08.17

 #nordeste #suann medeiros



Se fosse para escolher outro nome, me intitularia Francisca. Não por ser nome da minha avó materna, que seria uma grande honra, mas por remeter ao Rio São Francisco. Esse santo, esse homem, esse ser brilhante que permeia muitíssimo bem entre grandes e poderosos estados. 



Sou pernambucana, filha de um baiano-alagoano com uma pernambucana-índigena. Nasci na capitá Recife, mas foi no pedaço de chão sertanejo entre Bahia, Alagoas, Sergipe e Pernambuco que me fiz gente. Quase um Rio São Francisco, né? Me fiz criança de pés descalços brincando na rua, comendo “quebra-queixo” aos domingos, após o almoço em família, subindo em árvores, brincando de ser feliz - o que todos deveriam fazer independente da idade. Cresci ouvindo painho&mainha falarem “antes de voar, conheça seu lar”. 



Quando me entendi por gente, peguei meu matulão e fui desbravar meu chão, meu nordeste. Bahia e Pernambuco foram meu ponto de partida, minha base bem explorada (leiam-se: painho&mainha). Em seguida, caminhei por Alagoas e Sergipe, lugares fortes e coloridos por onde Lampião e Maria Bonita passaram. Passei novamente por Pernambuco e cheguei na Paraíba. Terra de “muié macho sim, sinhô”, já dizia a canção do Gonzagão.

Conheci o Rio Grande do Norte e suas falésias. Sim, no Nordeste tem de tudo! Pegando o bonde, vieram os Lençóis maranhenses. Pensa numa terra engraçada! Foi lá que tomei o tal refrigerante Jesus. E não é que o líquido rosinha é bom?! Deu até saudade agora. Dem do lado encontrei Iracema, Padre Cícero, Espedito Seleiro e Patativa do Assaré. Oh, Ceará abençoado! 



Dos nove estados nordestinos, ainda falta o Piauí - que é comprido e magrinho de um potencial fora do comum. Dizem que lá faz um calor medonho, mas calor por calor? Gente, me diz onde faz frio no meu nordeste? Eu estou é acostumada e não troco por nada esse pedaço de terra. E olhe que ainda falta conhecer muita coisa desse meu chão, desse meu lar. como digo por aí: 



Fotos: Suann Medeiros 

Sou sertaneja 
Do sertão dos seres brilhantes 
Das águas claras do Velho Chico 
O meu velho amigo 
Sou sertaneja 
Com a saia da menina rendeira 
Bota de Espedito Seleiro 
Blusa de renascença 
Virada num mói de coentro 
Sou sertaneja 
Sim, sinhor 
Com coração sempre em ebulição feito festa de São João -
essa manifestação que abraça todo meu Nordeste. 

[Esse texto foi escrito pela Suann Medeiros, a nosso convite em homenagem à semana da cultura nordestina, que começa hoje. Ela é pernambucana, jornalista, fotógrafa, artista e criadora de projetos incríveis, como o #obrasilpormim. Pra saber mais, clica aqui!]
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