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tattoo pura energia

14.02.18

 #cristais #houhou tattoo #tatuagem artesanal



Carnaval indo embora, dando o até logo, um já já to ai de novo... E chega a hora que bate aquela vontade de respirar fundo pra renovar as energias e começar com tudo (e de vez, né?) o ano! Nesse momento delícia de nos conectarmos com nosso próprio eu, muita gente tem a ideia de mudar o visu, dar uma repaginada e até fazer uma nova tattoo. 



Nessa mistura boa de desejos e encontros interiores, a dica é conhecer a Verônica Alves do Houhou, estúdio de tatuagem de Curitiba que trabalha com a sinergia entre o poder dos cristais, a técnica artesanal handpoked – ponto a ponto, a máquina tradicional que todo mundo conhece e toda a boa vibe que essa artista querida emana pro mundo!

Essa história teve início lá em 2015 quando a Verônica, que já era ilustradora, viu os caminhos se abrindo pra começar a tatuar. O coração já batia de ver essa conversa silenciosa e intensa entre arte e corpo, além de achar lindo poder ver uma arte própria eternizada na pele de outra pessoa, conectando tatuador e tatuado. Depois começou a pensar e pesquisar bastante sobre como adaptar as técnicas com o que acreditava. Lindo, né? E aí, não tem jeito, quando razão e emoção se juntam, é pra acontecer!

A gente bateu um papo delícia com ela sobre toda essa energia, a ligação com os cristais, com as pessoas e a conexão com o universo feminino e espiritual. Vê só:



- Conta pra gente: por que esse abraço enérgico entre você, os cristas e a tatuagem?
Tatuar com cristal é uma sinergia de vários propósitos que tenho em vida. E como pra mim trabalho não tá separado da vida, "sinergiu" inclusive isso. Antes de ser tatuadora eu já gostava da experiência de ser tatuada mas muitas vezes durante o processo eu sentia que alguma coisa ali estava ausente. Eu me preparava pra estar ali, escolhia o que queria tatuar, sentia onde seria, escolhia a lua propícia... mas alguma coisa faltava. Quando fui pesquisar sobre a história da tatuagem, finalmente compreendi: ser tatuada é uma tradição centenária, que deriva de um hábito {tão antigo quanto a própria humanidade} de seres humanos de diferentes épocas, culturas e religiões desenharem em seus corpos. Em muitos registros de quando isso acontecia, ser tatuado estava interligado, da forma que for, à espiritualidade, coisa que até hoje acontece no Oriente - que é onde se preserva os registros mais antigos dessa prática (Polinésia, Tailândia, Japão, Índia, entre outros). Aqui no Ocidente percebo que a coisa não chegou com tanta força, e como tudo, foi se desmembrando de outras formas. Então tatuar da forma como eu proponho é, de uma certa forma {mais romântica do que pretensiosa}, de resgatar essa tradição, essa riqueza memorial da humanidade. Junto disso vem a riqueza do que são os cristais nessa terra. E não falo nem um pouco sobre a riqueza material, já que alguns são bem caros mesmo. Eu digo sobre a memória que eles portam. O Reino Mineral foi o primeiro reino a habitar este planeta. Você se considera maduro com 70 anos? Imagine um cristal! Muito se fala do reino mineral na Geologia a partir de uma visão mais técnica, geográfica, química - o que determina por exemplo o seu valor de mercado. Mas muito pouco se fala sobre seu trabalho terapêutico {físico, emocional, espiritual}, assim como pouco sabemos sobre chakras, aura, alma, deus. Onde ficou essa lacuna na história? Eu pergunto pros cristais. E ser tatuado com eles é entrar em contato com a história de tudo.

Eu já me relaciono com cristais há muito tempo. Há muitas vidas. Inicialmente de forma bem intuitiva e depois fui sentindo de aprofundar estudos e trocas com outras pessoas e estudiosos. E nos cursos eu ia me dando conta de que muita coisa que estavam ensinando ali eu já fazia. Ou de alguma forma já sabia. Fui validando minha intuição e minha conexão com eles. Nesses estudos descobri a técnica do Orgonite, um objeto que equilibra as energias, e é composto por resina (atrai), cristal e metal (condutor). Quando tem um condutor, o cristal potencializa e direciona suas propriedades energéticas. E é assim que eu faço: o cristal com o metal, que nesse caso é a agulha da tatuagem; as propriedades energéticas provenientes daquele cristal específico se transportam pelo metal para a pele do tatuado. Alguns clientes me contaram que essa prática é comum na Índia - apesar de eu nunca ter encontrado muitos registros. Trabalhar com cristal exige muita dedicação e serviço, pois são seres vivos com necessidades específicas, caso contrário o trabalho energético será prejudicado. O que eu faço é baseado em muito estudo e comprometimento com minha história, com as ferramentas que trabalho e com a vida de quem me procura.

Os cristais vão surgindo e indo, então isso é bem transitório. São eles quem escolhem e não eu. É bem comum um cristal aparecer e naquela semana ele trabalhar bastante, como se ele soubesse a hora de chegar - o que é verdade. Eu simplesmente trabalho com o que tem e confio que o tatuado e eu temos ali exatamente tudo que precisarmos. Alguns eu ganho de presente, outros eu escolho pessoalmente e essa conexão é imprescindível que aconteça. Eu preciso ter certeza no meu coração de que eles desejam vir e servir ao ritual. E quando se cansam, eu devolvo eles pra natureza. Eu dei uma olhada aqui ao meu redor e eu porto MUITO cristal: Nas orelhas, pescoço, dedos, punho, tornozelo, está em todo meu studio, na minha casa, no carro. Nas minhas plantas. É plenamente, não tenho dúvidas. Faz parte de quem eu sou, assim como as plantas, as pessoas que amo. São meus mestres, com quem aprendo muito sobre a sabedoria do tempo, a beleza, a pureza, a humildade e o silêncio.


 
- Além do lado espiritual e estético do seu trabalho, você também tem uma relação super forte com a força do feminino, né?
A arte é a minha medicina, uma cura simultânea pra mim e pro outro. Tendo um corpo de mulher não consigo expressar outra coisa que não a partir do que este corpo me proporciona ou o que proporcionam a ele, pro bem ou pro mal. Pois esse corpo une a todas nós mulheres (que nasceram ou se tornaram), e estender meu servir pra outras mulheres é trazer luz pra esses sentires. E isso está latente na minha arte desde que posso me recordar.

Tenho amigas tão maravilhosas: mães, cozinheiras, ginecologista natural, terapeuta ayurveda, terapeuta quântica, reikiana, musicista, alquimista, dançarina, mulheres-medicina, artesãs... Observar a relação delas com o trabalho sem saber o que é vida pessoal ou profissional, o comprometimento com o que se faz, com o outro, com melhorar o mundo. Mulheres com a coragem de se investigar, de se curar e de curar a outra. Elas me inspiram demais. Tenho frequentado há alguns anos rodas de mulheres e cerimônias de medicina, e posso afirmar com toda certeza que não existe maior obra de arte do que essas. Tudo o que eu faço tem a ver com um desejo genuíno de propagar esse feminino tão sagrado, que homens e mulheres trazem dentro de si em forma de energia.

Tenho me inspirado muito em todo o movimento atual que estamos vivendo. Tenho ouvido e lido muitas mulheres feministas, lgbt's, índias, negras, pois sinto que já passou da hora de dar voz ao que todas querem nos contar.

- E o nome houhou, qual a origem?
"Houhou" (que é o nome do que faço, do meu estúdio) é uma onomatopeia do som da coruja (lê-se "rrú-rrú"). Sempre tive muita afeição às corujas, por toda a beleza, força e simbologia que portam. Quando percebi que iria começar a tatuar, senti na hora que isso precisaria ter um nome que não o meu, pois nunca fiz e não faço esse trabalho sozinha - apesar de achar bem simpático algumas pessoas me chamarem de Houhou, mas sempre explico que Houhou é algo maior que eu). Aos poucos fui encontrando essas respostas, que a coruja é meu animal de poder e proteção, segundo o Xamanismo e também segundo o Sincronário da Paz (estudo Maia). Sincronicidades. A coruja enxerga além do visível e traz à tona a verdade, então encontro um vínculo muito claro com os cristais, também. Pra mim, está tudo dizendo a mesma coisa, e eu só faço ouvir o som da coruja...



- E a inspiração pra toda essa energia boa, de onde vem?
Me perceber como instrumento de pequenas revoluções do dia a dia. Sentir que posso fazer algo pelo outro a partir da minha arte. Meu trabalho é servir, e o que entrego recebo de volta, gerando assim uma nova doação. Prestar serviço àquilo que te inspira é agradecer pelo inspirar. Essa troca é o que me inspira, o que me motiva, o que me faz querer ser uma pessoa cada vez melhor pra que isso possa se desdobrar com potência e verdade em tudo o que faço. Eu sinto que minha fonte criativa vem também do meu constante observar. Eu tenho essa tendência à contemplação desde sempre, o que me fez ser uma criança bem tímida e com dificuldade de me relacionar. De uma forma que acontece até hoje, eu sempre preferi estar nesse círculo de fora a observar o todo, e percebo hoje que isso foi me moldando a procurar responder a tudo a partir das minhas criações, pois sinto que assim consigo ser mais sincera na minha entrega pro mundo. A história de vida das pessoas que me procuram também me inspiram diretamente no que será criado como resultado, como "medicina". Tem algumas histórias que são extremamente comoventes e sempre mantenho sigilo sobre o que é compartilhado nos rituais. Mas não é raro eu chorar durante o ritual. Ou a pessoa. Chorar de transbordar amor, sabe? Esse choro é delicioso e agradeço muito por poder me comover com a história de vida das pessoas.

- Se você pudesse deixar uma mensagem pro mundo todo, qual seria?
Eu desejo que as pessoas descubram a preciosidade que é a sua vida, o maior poder que lhe foi dado. Que todos possamos mergulhar pra dentro de nós na certeza que essa é a única viagem, na intenção de reconhecer a nossa verdade. Pois toda vez que tentamos ser alguém que não nós mesmos, que repetimos crenças de outros, que tentamos corresponder à expectativas, que calamos a nossa voz interior, que nos achamos indigno de viver o que nos faz feliz: acabamos ferindo a nossa verdade. E não existe nada pior que possamos fazer com nós mesmos do que ferir a nossa verdade. Então, que a gente pare de se ferir e assuma aquilo que somos. Desejo que sejamos originais, nos erros e nos acertos. Inventando nossa própria história, agradecendo e liberando o que seus antepassados nos trouxeram.

É chegada a hora de percebermos que a vida é muito simples e teimosa na sua simplicidade. Ela se manifesta a partir de cada verdade em nós, por isso somos muitos. Não existe uma forma única. Não existe sequer uma fôrma. Não existe repetição em quem somos e cada acontecimento acontece uma única vez. Não queira se encaixar, muito pelo contrário: queira mesmo é se desencaixar de qualquer crença, rótulo, fórmula. Você não é um produto. O que você é não tem nome. O que você é, só é possível ser expressado. Invisivelmente. Misteriosamente. Verdadeiramente. Você é a própria vida se manifestando. Perceba a manifestação divina que habita em ti. E percebendo isso, que percebamos a manifestação divina que habita em toda forma de vida. O divino que habita em todas as coisas deseja que nós descubramos que somos esse divino.



Conhecer a Verônica e eternizar na pele uma de suas criações vai muito além de apenas se tatuar. É sobre autoconhecimento, percepção do outro, conexão. Se você ficou completamente apaixonado por esse ser e exercer incríveis, é só acompanhar ela aqui pelo Instagram e falar com ela pra abraçar esse mundo de energia! 
 
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