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o universo de cecilia

03.04.17

 #Cecilia Payne-Gaposchkin



Imagina só se dedicar a vida inteira ao estudos, mudar de país em busca de mais oportunidades de formação e, depois de realizar uma extraordinária descoberta, ter sua pesquisa invalidada pela desconfiança. Superinjusto, né? Infelizmente, essa história, que ainda é comum na vida das mulheres de hoje, já acontece há muito tempo. 

Cecilia Payne-Gaposchkin é uma dessas estrelas ocultas da história da ciência, ofuscadas pela superpresença masculina. Em abril, mês mundial da astronomia, a gente conta essa história porque todo mundo merece um pouco da inspiração de Cecilia na vida. Vem mergulhar nesse universo com a gente!


Foi na Inglaterra, em 1900, que Cecilia Payne-Gaposchkin nasceu. Aos 23 anos, a primeira dificuldade: pra prosseguir com os estudos, Cecilia teve que se mudar pros Estados Unidos, já que as oportunidades de aprendizagem pra mulheres em seu país eram limitadas. Já em Harvard, Cecilia foi incentivada por Harlow Shapley, diretor do Harvard College Observatory, a especializar-se em astronomia. Ela não hesitou: era a sua paixão! E foi estudando o espectro do Sol que Cecilia descobriu que o hélio, e principalmente o hidrogênio, eram muito mais abundantes na maior estrela do universo do que outros elementos, como silício, carbono e outros metais comuns. 

Partindo dessa descoberta, Cecilia estabeleceu que o hidrogênio era o principal componente das estrelas e, portanto, o elemento químico mais abundante do universo! 


Mas nem uma tese de doutorado brilhante foi suficiente pra convencer o corpo científico da época. Até então, acredita-se que o sol tivesse uma composição similar à da Terra, e qualquer pensamento contrário a essa tese - ainda mais vindo de uma mulher! - era fortemente criticado. Até o respeitado astrônomo Henry Norris Russell, super reconhecido no ramo, a desencorajou a revelar seus resultados! 

Quatro anos depois, Henry chegou à mesma conclusão, por meios diferentes.


Ainda que Henry tenha recebido frequentemente o crédito pela descoberta de Cecilia - o que, definitivamente, não é nada legal! - isso não impediu sua persistência nos estudos e na carreira acadêmica. No início, a pesquisadora não tinha um cargo oficial, e era vista como uma assistente de Shapley. Além disso, os salários baixos quase a fizeram desistir, quando Shapley esforçou-se pra melhorar sua posição. Em 1938, ela recebeu o título de "astrônoma". 


Até 1945, nenhum dos cursos que Cecilia lecionara em Harvard foi registrado no anuário da universidade. Afinal, ela era uma mulher! Mas isso mudou anos depois, quando, em 1956, Cecilia se tornou a primeira mulher promovida a professora na Faculdade de Arte de Ciência de Harvard, abrindo caminho pra tantas outras. Depois disso, foi ainda a primeira mulher a liderar o Departamento de Astronomia da universidade: uma mudança e tanto pra um intervalo de 10 anos, não?

Em 1966, Cecilia se aposentou, aos 66 anos de idade, e lhe foi concedido o título de professor emérito em Harvard. Professor. Masculino. Porque ela era uma mulher.


Que a história de Cecilia nos inspire todos os dias a botar fé nos sonhos e não se esquecer da nossa força de mulher. Seja na moda, na arte, no cinema, na música, na astronomia. Na gastronomia, na engenharia, no direito! Não existem limites pra nossa liberdade e, sim: nós podemos ser o que quisermos ser! 

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