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ladrilha: construindo afeto nas ruas do Rio

02.06.17

 #fernanda moreira #ladrilha


“Saber doer antes de saber doar.”
“O amor é TUDO isso mesmo!”

Você já cruzou com uma dessas frases pelas ruas do rio? Escondidas em delicados azulejos escritos à mão e espalhados pela cidade, as frases da jornalista Fernanda Moreira andam aquecendo o coração de quem esbarra com elas. Os nossos inclusive. Por isso fomos atrás da moça (aqui na mesa ao lado, risos, porque a Fê é redatora-chefe do Adoro e a gente morre de orgulho) pra saber como ela criou o projeto @ladrilha e de onde ela tira inspiração


Foto: RIOetc

Fernanda tem 29 anos e estudou jornalismo, mas quase fez letras. As palavras sempre foram suas amigas (um dos ladrilhos avisa: “Poesia é casa”), e ela conta que escreve intuitivamente desde os 16 anos. Conversando com a Fê a gente entende por que ela produz tanto: parece que a cabeça da moça já funciona num estado permanente de poesia. Essa saiu no meio da entrevista:

“A poesia me permeia. Me consola. Me cura. Me ajuda. Me falta. Me castiga, por vezes. E é minha companheira, às vezes distante, às vezes inseparável. Desde que a conheci, cá estamos.”


Foto: RIOetc

A gente também queria saber como surgiu a ideia de passar os textos do papel pros azulejos, e ela contou que estava andando à tarde com o namorado por Santa Teresa quando mencionou que queria dar um jeito de levar mais afeto pras ruas, e ele respondeu que uma vez tinha colado um adesivo do bonde num azulejo e pregado num muro. Nessa hora a Fê teve o estalo: “vou escrever meus textos em ladrilhos!” Fazia todo sentido, ainda mais com o histórico colonial da cidade. É um trabalho duplo de ocupação por afeto: da cidade e dela mesma.

“A política tá no amor, em me trazer de dentro pra fora. A ocupação, na verdade, é minha mesmo.”


Foto: @ladrilha

No início a Fê pinçava as frases de seus poemas, agora já está criando coisas específicas pro Ladrilha. As frases são escolhidas ou escritas intuitivamente, de acordo com o momento e o que ela deseja comunicar. Um perrengue inicial que ela teve que superar foi o fato de não curtir a própria letra, mas no fim das contas ela percebeu que algo tão pessoal não poderia ser concretizado de outro jeito. Além disso, em tempos de teclados e touchscreens, que delícia que é conhecer a letra de alguém, né? 


Fotos: @ladrilha

Mas e como é essa coisa de parir um trabalho e depois “abandonar” ele na rua? Será que não dá uma aflição? Perguntamos pra Fê se ela tinha histórias interessantes pra compartilhar sobre essa interação do público com a sua arte. 

“Dia desses, recebi um direct carinhosíssimo de um rapaz que topou com um ladrilho em Botafogo, o "Saber doer antes de Saber Doar", e estava super grato pelo bem que a mensagem tinha feito naquele momento da vida dele. Recebo várias imagens compartilhadas no Instagram, pessoas que me marcam, que começam a me seguir elogiando o projeto. Certa vez, estava colando na São Salvador, que estava cheia, e rolou uma interação muito legal com a galera que estava em volta. Mas também rola muito ladrilho arrancado, e tudo bem. Ainda é curioso passar por um muro ocupado por mim, observar as pessoas fotografando ou lendo, e é engraçado passar e ver que o ladrilho não está mais lá. A rua é viva e esse é o barato!”


Foto: @ladrilha

A Fê também contou que gosta muito da sensação de trazer o afeto poético e o feminino pra rua, que infelizmente ainda é um ambiente muito machista e hostil. Aproveitamos pra finalizar perguntando se ela curtia trabalhos de outras minas que fazem arte de rua, e ela indicou a grafiteira Di Couto, e o Coletivo Transverso.

Arte e afeto de sobra nas ruas do Rio
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