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já conhece a calma monga?

25.03.17

 #farm entrevista #gabi fiuza



Ainda no mês das mulheres, o adoro! entrevistou a pernambucana e colorida Gabi Fiuza, quase a mais nova mamãe do Recife, e dona de uma das marcas mais bacanas da cidade do frevo e do maracatu: a Calma Monga

Marca de acessórios vegana, a Calma Monga produz todos aqueles acessórios que a gente sempre quis usar, como bolsas, malas, pochetes e mochilas, com uma pitada divertida e surrealista única. A Gabi contou, por exemplo, que já produz pochete há quase 5 anos, ou seja: muito antes de voltar à ativa. Que olhar, hein? É Pernambuco lançando tendência e a gente amando! 


Como surgiu a Calma Monga na sua vida?
A Calma Monga surgiu em 2008, quando eu procurava uma bolsa que não fosse de couro e não encontrava, além de perceber uma modelagem padrão se repetindo em várias lojas. Achava tudo muito sem graça e usava todo tipo de substituto para as bolsas, desde sacolas de supermercado até pequenas caixas de sapato!
 
E de onde vem esse nome tão louco? 
A Monga é uma atração de parque de diversões, onde uma mulher muito bonita se transforma em uma gorila raivosa (a monga), que sai correndo atrás da plateia, causando pânico geral. Muito comum no Nordeste, a lenda da Monga fez parte da minha infância. Eu ficava muito intrigada nessa transformação de mulher a monstro aterrorizante e o porquê das pessoas terem tanto medo do que, na verdade, era apenas uma mulher transformada/transtornada. Ao dar vida à marca, eu fiz um manifesto onde dizia que tudo bem as mulheres surtarem um pouco e se transformarem em Monga. Ninguém precisa ter medo da mulher que sai do padrão e sai gritando pro mundo que existem outros mundos. A mulher pode ser quem ela quiser, até uma Monga. 
 

Como a cultura pernambucana influencia a sua criação?
Recife é a maior cidade pequena do mundo! Por aqui temos muito orgulho da nossa história e como conseguimos empreender dando nó em pingo d'água (o famoso "jeitinho"), sem contar com a ajuda dos governantes. Além da tríade carnaval+sol+praia, acredito que somos seres criativos, fazemos de tudo pra “viver de arte”, e o mais legal é que, aqui, consumimos com paixão a produção local. A música é uma grande inspiração e tem pra todos os gostos, e é muito lindo ver pequenas e grandes casas de show lotadas com bandas locais, todo mundo cantando junto. Acho que o empreendedor pernambucano é empoderado pelo seu público e isso influencia diretamente na sua criação.

Como é a sua rotina de criação com a marca? E onde você busca inspiração para criar as coleções?
A Calma Monga sempre foi rebelde em relação a coleções. Nunca entendi como alguém no Recife pode pensar numa coleção de outono/inverno se por aqui só temos duas estações: muito sol ou muita chuva com calor. No começo eu não fazia coleções de jeito nenhum, apenas bolsas atemporais, mas depois fui me rendendo a criar com base em temas específicos e gostei. Então hoje busco me inspirar em pessoas e movimentos que brincam com a surrealidade do cotidiano e que entendem que a vida é feita de curvas, brincadeiras e muita arte.


Qual a importância da sustentabilidade e da produção local pra marca?
Acredito que os homens e as organizações têm a mesma responsabilidade com o meio ambiente, mas o peso é ainda maior pras pessoas jurídicas, por sobreviveram do sucesso da equação produção x consumo. Criar o desejo do consumo nas pessoas faz a produção aumentar e o negócio prosperar. Crescer com sustentabilidade é o meu grande desafio. Na produção da Calma Monga, procuro aproveitar ao máximo todo o tipo de material, usando até os retalhos, para diminuir a produção de lixo. Os costureiros também entram na cadeia da sustentabilidade e são pagos justamente pelo trabalho que executam. Trabalhamos com a política do fair trade (comércio justo). Não usamos produtos de origem animal. Incentivamos o consumo de empreendedores locais para que a renda gerada se espalhe na mão dos pequenos. 
 

Você já enfrentou algum preconceito por ser mulher no seu trabalho?
O mundo da costura é dividido: mulheres costuram roupas e homens costuram bolsas e sapatos. Ou seja, o meu dia a dia é entre homens costureiros. No começo eu me sentia um pouco acuada por eles, e já cheguei até a levar figuras masculinas a tira colo pra impôr aquele respeito extra. Mesmo que a companhia não interferisse em nada, só uma presença masculina ao meu lado já equilibrava a situação. Com o passar dos anos, ganhei mais força e aprendi que poderia, sozinha, manter uma relação de trabalho e respeito com eles.

Que causas você apoia?
Sempre fico um pouco confusa com o caos que está o mundo hoje, e queria mesmo que só existisse uma causa “vamos todos juntos agora dar um jeito nesse mundo”, sabe? Mas entendo que é através do micro que atingimos o macro, então só me resta fazer a minha parte e aprender com os inúmeros exemplos de pessoas e organizações que estão trabalhando pra mudar a nossa realidade. Sou amiga do vegetarianismo desde os 12 anos, quando parei de comer carne por simples abuso, que depois cresceu pra uma bandeira ambientalista. A relação indústria x animais x meio ambiente é muito cruel, injusta e devastadora, então eu não conseguiria ter uma empresa de outra forma. Acredito muito, apoio e incentivo o empoderamento das minorias, a luta diária da sociedade contra o machismo e o fortalecimento dos movimentos sociais. 
 

Quais são os planos da Calma Monga e da Gabi pra um futuro próximo?
Este ano tem sido de muita mudança para mim e pra marca, então o grande plano é se adaptar aos novos tempos! A Calma Monga está em processo de mudança: estamos saindo de um casarão cheio de árvores e espaço livre pra uma loja de galeria. Mudança radical, mas estou feliz. A marca tem muito a ganhar com a nova localização. No começo do ano abrimos uma loja linda em Boa Viagem (zona sul da cidade, longe da nossa zona de conforto, que é a zona norte do Recife), no projeto Rosa Amarela (que é uma parceria com as marcas amigas Duas e Trocando em Miúdos) e ainda estou grávida, ou seja, gerenciando o projeto mais maluco desse mundo - que é fabricar um ser humano

Estar grávida tem influenciado criativamente/sensivelmente as coleções?
O que muda pra mim com a gravidez é que agora já quero criar tudo pra mães e crianças. Já vejo que em geral as “bolsas de maternidade” não são muito práticas e que as crianças poderiam ter mochilas mais legais. 

Que conselho você dá pras meninas que estão começando com suas marcas agora?
O melhor conselho é: ampliem seus horizontes criativos! O mundo das referências é infinito e ninguém precisa copiar ninguém. O mercado é grande e tem espaço pra todo mundo, cheguem para fortalecer o mercado autoral e pra conscientizar os consumidores que o design pernambucano é forte, criativo e comercial!


A gente adorou conhecer esse mundo carregado de sotaque (e que sotaque lindo!) da economia criativa e colorida pernambucana  Se você quiser conhecer mais da Calma Monga pode acessar o site da marca por aqui

A gente deseja toda sorte do mundo pra Gabi, pra Monga e pro seu bebê! 

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