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FARM entrevista: ibeyi

11.10.16

 #ibeyi



Não dá pra começar diferente esse texto: a gente ama as gêmeas franco-cubanas Lisa e Naomi, a dupla Ibeyi (lembra que há mais de um ano já falavamos do duo por aqui?). A boníssima notícia número 1 é que elas vêm ao Brasil nesse fds pra duas apresentações pra lá de esperadas (quinta em São Paulo, no Audio Club; e sábado na nossa segunda casa, o Circo Voador, no Rio).

A número 2 é que fomos conversar com elas e voltamos ainda mais fãs!  



Na verdade, a paixão não é sentimento exclusivo nosso. Até a Beyonce já caiu nas graças das meninas (sim, lê aqui). Pudera - logo no primeiro álbum, o pé na porta é dado com afinação e uma mistura inusitada de jazz, black music e cânticos iorubás (Ibeyi, na mitologia iorubá, são divindades gêmeas).  Tem sentido se pensar que elas são filhas do Miguel “Angá” Díaz, falecido percussionista da Buena Vista Social Club, têm Cuba e toda herança africana - rica e implacável - na alma.

Energia e consciência: é assim que elas exnergam uma a outra. 



Meninas, é a primeira vez que vocês tocam aqui no Brasil. Topam começar a conversa falando dessa expectativa?
Sim, estamos muito animadas pra tocar aqui. A gente recebe muitas mensagens de fãs brasileiros nas redes sociais e sentimos que tem uma ligação especial entre Brasil e Cuba. Ah! E quanto ao Rio de Janeiro e o Circo? Temos ouvido que é um lugar muito especial, então mal podemos esperar pra estar lá e sentir essa energia!

O pai de vocês era músico. A mãe é cantora. Agora, vocês têm a música como arte, assim como eles. Como sentem isso? 
A música sempre foi muito importante e motivo de alegria na nossa vida e na dos nossos pais, mas nunca imaginamos fazer música como um modo de vida. A gente ama música. Vivíamos indo a shows, vendo clipes, assistindo nosso pai tocar. A música foi e sempre vai ser uma parte essencial da nossa vida, mas estar no palco não era um desejo nosso consciente durante nossa adolescência, nosso crescimento.

Algumas músicas são cantadas em yorubá e fazem menção aos orixás. Como vocês lidam com a espiritualidade? (Ah! E antes que a gente esqueça: vocês já foram à Bahia? Se não, pre-ci-sam ir! ). 
Cantar em yorubá é um jeito de celebrar nossa herança afrocubana. Vocês sabem que Santeria e Candomblé são os filhos da mãe África, né? Isso é parte da nossa raiz. Nosso pai era negro e cubano, nossos ancestrais eram yorubás. Cantar em yorubá é um jeito de estar perto do nosso pai também... Ah! A gente quer muuuuito ir à Bahia!"


 
Vocês são irmãs. Como isso beneficia o fazer de vocês, a relação nos bastidores etc., os processos de criação musical... 
Mais do que irmãs: somos irmãs gêmeas. No dia-a-dia,  é realmente difícil. Somos simplesmente opostas, não vemos as coisas da mesma maneira, discutimos muito, mas, por outro lado, é muito interessante esse oposto criar junto, sabe? O Yin precisa do yang e vice-versa.

Uau! Como foi a infância de vocês desse jeito? 
Nosso pai faleceu quando a gente tinha 11 anos. Isso mudou nossa vida. A adolescência foi difícil. Realmente difícil. A música nos ajudou muito a transmutar a dor em algo que nos fizesse sentir bem... Ela transformou a violência em beleza!



Vocês curtem música brasileira, conhecem nossa música? 
A gente não conhece muito de música brasileira ainda. Esperamos conhecer novos artistas por aqui, mas já conhecemos e amamos a Elis Regina, as gravações do Seu Jorge com a Ana Carolina e algumas canções antigas do Lenine... 

Hm, boa. E o que vocês têm ouvido ultimamente? 
Muitas coisas diferentes... James Blake, Kendrick Lamar , Bon Iver, Nina Simone, Amy Winehouse, Kamasi Washington, Lauryn Hill, Sampha, Beyonce... 

Pra fechar: Lisa, conta pra gente como você define a Naomi? Naomi, faça o mesmo! 
A Naomi é ritmo, dança, fogo... energia pura!
A Lisa é melodia, vulnerabilidade, água... consciência! 


A gente entrou na contagem pros shows de Sampa e do Rio e já dá a dica: ouve aqui no Spotify o album das gêmeas pra entrar no clima. O show no Circo (ó o evento aqui) vai ter ainda abertura de ninguém menos que Jaloo. Prepara que vai ser enérgico, vai ser de guardar na história, já tá sendo imperdível!  
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