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de cerâmica e outras coisas

23.03.17

 #farm entrevista #sofia oliveira


 
O barro arde-se na boca do incêndio até se mudar. E quando vira taça,  já é terra adulta, madura, evoluída. Terra Adulta.
 
É assim que Valter Hugo Mãe (nosso escritor xodó) fala do barro em seu último livro, "Homens imprudentemente poéticos". Pegamos carona na sua poesia pra apresentar o trabalho de Sofia Oliveira

A Sô tem 28 anos, é de Ribeirão Preto e mora em São Paulo, onde fica o ateliê Olive Cerâmica, sua marca de produtos de cerâmica feitos à mão. “A cerâmica é o bairro queimado”, explica a Sô. A gente bateu um papo com ela  pra entender como é esse trabalho de perto e compreender mais do universo do feito à mão, esse artesanal que transforma a terra em produtos cheios de vida e que requer muito amor, conexão com o presente e com a terra mãe 


Primeiro conta pra gente do adoro! como, quando e onde começou a sua relação com a cerâmica. E quem é a Sofia antes e depois de descobrir essa arte?
Eu sou formada em propaganda e marketing e, alguns anos depois de trabalhar na área, senti que não estava no lugar certo. Larguei meu trabalho, mantive uns freelas, e fui fazer cursos de coisas que eu gostava. Fiz jardinagem, agricultura orgânica, compostagem, até que cai meio que sem querer na cerâmica e me apaixonei de cara. Comecei a fazer o curso com a ceramista maravilhosa Sara Carone e, depois de mais ou menos um ano, uma amiga me chamou pra participar de uma feirinha. Depois de fazer minhas primeiras vendas, me dei conta que queria investir naquilo. Fui pra França pra fazer um curso de especialização em torno (aquele do Ghost) e na volta a Olive começou oficialmente, com ateliê próprio e CNPJ. A Sofia de antes e de depois são muito diferentes. Ter seu próprio negócio te obriga a assumir muitas responsabilidades de uma vez só e é um grande crescimento. Além disso, a cerâmica é um material que faz a gente lidar com muita frustração, o que é supercansativo, mas também terapêutico. Muda o seu jeito de olhar pra tua vida inteira.

E o que te inspira?
Depois de se conectar com o material, a inspiração vem de todos os lados. Quando estava no início, pegava mais inspiração de trabalhos prontos (de cerâmica mesmo, em museus, livros e internet da vida). Hoje em dia, agora que aprendi o processo e domino mais o material, a inspiração vem de outros lugares. Uma forma, uma cor, qualquer coisa que eu veja enquanto estou andando na rua ou mesmo em casa pode ser uma inspiração.


Conta pra gente um pouco da sua rotina no ateliê?
A rotina do ateliê é bem gostosa mas também é cansativa. Eu divido uma casa com outros criadores, e isso ajuda a dar um respiro. Normalmente eu chego um pouco mais tarde no ateliê, porque curto tomar café da manhã com calma e responder meus emails. Depois vou pra lá, boto minha rádio favorita (FIP ) e começo a trabalhar. A rotina se divide normalmente entre tornear, dar acabamento, esmaltar e montar forno, dependendo de qual momento do produção estou. Na hora que bate a canseira, sempre rola uma pausa pro cafézinho com o pessoal do ateliê.


Qual a importância de um trabalho manual na sua vida? E a importância de ter um trabalho manual em uma cidade como São Paulo?
Pra começar, a mudança de sair da frente do computador o dia inteiro já é maravilhosa.  Ter um trabalho manual me proporciona desfrutar de dois mundos diferentes. Eu tenho acesso a tudo que a cidade me proporciona e, ainda assim, consigo ter um equilíbrio com um trabalho que é completamente desconectado disso tudo. Trabalhar no torno me obriga a me concentrar no presente, o que ajudou também a diminuir minha ansiedade, algo que só tende a piorar na vida corrida de cidades grandes como São Paulo. Ter que respeitar os tempos da cerâmica (de secagem, queima, etc) é uma desaceleração importante e que traz de volta uma noção de respeito ao tempo.
 

Quem são as mulheres que você admira, suas principais referências? E onde você busca essas referências?
A primeira pessoa que me vem a cabeça é sempre a ceramista Helen Levi. Quando estava começando a fazer cerâmica e me deparei com o trabalho dela, me deu muita força pra continuar. Ela é uma mulher jovem com uma empresa incrível e que me fez pensar: se ela consegue, por que eu não conseguiria? Além dela, apesar de ser clichê, com certeza diria minha mãe. Eu vi ela trabalhar pesado a vida inteira e construir uma empresa incrível praticamente sozinha. Ela é uma das pessoas que mais me ajuda hoje em dia, tanto me ensinando coisas burocráticas do dia a dia de uma empresa quanto dando um ombro amigo. Minhas referências são em grande parte mulheres: além da Helen Levi, também curto muito o trabalho da Josephine Noel, Bridget Bodenham, Leah Jackson, Laurette Broll, Alb Ceramique, Noni, Rocha do Campo, Renata Miwa e a grande e maravilhosa Lucie Rie.


Você já enfrentou alguma dificuldade ou algum tipo de preconceito por ser mulher no mundo artístico?
Eu tenho o privilégio de circular em um meio bastante aberto, mas preconceitos e discriminação muitas vezes acontecem pelo não dito, então fica difícil de perceber. Acredito que por ser um meio com muitas produtoras e consumidoras mulheres, tudo fica mais leve. O que já aconteceu foi ter sido assediada numa feira, e foi bem assustador por estar sozinha ali, mesmo com um monte de gente ao seu redor. E também um recente assédio online, que chegou até mim através da página da Olive.

Quais são os planos de 2017 para Sofia e para a Olive?
Quando as coisas começaram a rolar pra Olive eu achei que tinha que abraçar o mundo e pegar todos os jobs possíveis. Depois de alguns meses bem loucos, vi que esse não era o caminho. Esse ano eu quero ir com mais calma. Pegar os trabalhos com os quais me sinto mais conectada, ter tempo de dar aulas, ter tempo de desenvolver novas coleções e conseguir montar uma empresa estruturada. Pra Sofia, os planos são aprender a separar a vida pessoal do trabalho (desde que abri a empresa parece que penso nisso 100% do tempo) e aprender japonês, pra ir pro Japão daqui a uns anos estudar cerâmica. 


É ou não é pra se apaixonar por esse universo que nos conecta com a nossa ancestralidade? A gente tá só amor pelos potinhos da Olive!

Ó, e pra conhecer mais o trabalho da Sofia na Olive Cerâmica, é só ficar de olho na sua página do facebook, no instagram @oliveceramica e no site.  E se você mora no Rio, pode ficar feliz! A Olive está sendo vendida na loja PLURI no Humaitá, que fica na Rua Capitão Salomão, 63. A gente deseja toda sorte do mundo pra Sô e pra Olive 

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